Bright Changes . António Pessoa 2004
- Picasso pintando Dora Maar - (técnica mista )
Bright Changes,António Pessoa,Barcelona 2004,é o retomar da colecção
Picasso painting Dora Maar.
O artista uma vez mais debruça-se nos amores e desamores do maior fenómeno das artes do século vinte,Pablo Picasso e a sua estranha e perversa relação com a pintora e fotógrafa Dora Maar.
Um curioso trabalho de técnica mista onde Dora Maar aparece nesta obra
sem o usual toque de sofrimento com que Picasso nos tempos em que a pintou
a retratava,chegando ao ponto de desarticular as formas fazendo-a parecer
pouco menos que um monstro.
Neste quadro,António Pessoa,muito possivelmente resolve atenuar a tensão,
concedendo-lhe um ar quase angelical.
Talvez por isso o titulo seja o mais adequado,proporcional aos tons suaves e pasteis pelos que o artista decide optar.
Um trabalho generoso de António Pessoa no contexto febril de uma colecção
abordando uma das mais controversas relações da vida de Picasso.
Veronica Amaral
the Get Away - António Pessoa 2004
Marcadamente influenciado por Maria Helena Vieira da Silva,António
Pessoa explora o tema Metropolis a partir dos primeiros anos da década
de noventa.
Por então trabalhando com a Galeria de Arte Almacem de Alfredo Moreira e para enorme surpresa do artista todas as obras inspiradas nesta temática são vendidas do dia para a noite,facto que logicamente leva o galerista Alfredo Moreira a entusiasmar António Pessoa no sentido de ampliar e desenvolver mais obra dentro desta linha,desejo que o artista naturalmente concede de bom grado e grande energia criativa e laboral.
Com o passar dos anos António Pessoa inevitavelmente vai perdendo
os vestigios das influências de Vieira da Silva,cujo resultado visual se
vai tornando e desenvolvendo dentro e mais além de uma linha estética pode-se dizer que inovadora.
Com a sua longa passagem por Vigo e Espanha total,o artista vai deixando gradualmente de lado este modelo que tanto lhe agrada,optando por outras expressões plásticas com bastante mais potencial comunicativo dentro do seio do público espanhol.
Contudo,em Barcelona,finais de 2003 o artista decide uma vez mais retomar este fascinante mundo de panorâmicas urbanas,quer seguindo uma veia hiper-realista,quer optando por um certo abstracionismo.
The Get Away ,António Pessoa,Barcelona 2004,é um óleo sobre tela
de fortes contrastes visuais e cunhado por esse rigoroso,ainda que espontâneo,traço de exímio desenhador característico do pintor,
coexistindo com uma privilegiada liberdade de expressão plástica e uma
vitalidade de movimento e action painting notáveis.
Veronica Amaral
Andalucia - António Pessoa,1997
Já com bastante experiência no país vizinho,é contudo a partir de 1997
que António Pessoa começa a sua carreira e a divulgação da sua obra em Espanha.
Apesar de viver em Vigo,viaja frequentemente por toda a Peninsula,
dedicando este óleo sobre tela a uma das suas regiões favoritas.
Andaluzia.
O seu gosto e admiração pela Festa Brava faz-se notar com bastante frequência em muitos dos seus trabalhos dos anos noventa.
Apesar da crueldade do tema,António Pessoa tem o pudor e a elegância
de tratar a Tauromaquia sem a vital necessidade de uma abordagem
demasiado realista,que é como quem diz,sanguinária.
O resultado visual é então mais emblemático que propriamente vil e
contundente o que nos leva a concluir que o artista apenas pretende
um pensamento meramente cultural ou até turistico,contrariamente à
abordagem que Pablo Picasso durante toda a sua vida e obra fez da
Tauromaquia,que como é sobejamente do conhecimento universal,era fruto de uma verdadeira "aficción",para não dizer obsessão.
Neste Andalucia,1997,António Pessoa consegue o movimento e o
momento de uma tourada tipicamente espanhola,através de um curioso e
original projecto de imagem dupla
É de salientar o facto de que o pintor em 1997 acabava de concluir uma das suas épocas pictóricas de inspiração mais contemporânea.
Convém referir que ao deixar Portugal para residir em Espanha,a partir de 1997,António Pessoa é apanhado de surpresa,primeiro com a pintura galega,depois com a pintura espanhola em geral,muito particularmente
com as obras dos mestres do século vinte.
Estas interferências provam ter exercido uma influência quase radical na
linha da sua obra.Oficialmente,em 1997 ao passar a viver em Espanha,
António Pessoa dá inicio à sua polivalente e super-produtiva Época
Romântica,1997-2002.
Veronica Amaral
La velada del marinaje António Pessoa,1997 - Black and White album
Na retrospectiva necessária e especificamente na análise da Época
Romântica de António Pessoa,nunca é demais salientar a importância
do Black and White album,uma coleção de desenhos realizada entre 1997 e 1998,editada em catálogo em 1999.
Nunca antes nem nunca depois o artista se presta a demonstrar os seus dons como desenhador por excelência,como nestes dois anos durante os
quais consegue a proeza de concluir cerca de 800 trabalhos de carvão e grafite sobre papel.
Ainda que o resultado total tenha sido de uma polivalência camaleónica
a congruência subsiste muito mais no estilo do que obviamente na temática,a qual dispara continua e sucessivamente através de um
universo de múltiples abordagens.
Considerada pela grande maioria dos criticos como talvez a fase de
mais qualidade de pura expressão artistica de toda a Época Romântica,
o The Black and White album ilustra os recônditos mais controversos do artista,através de uma navegação introspectiva como analitica a qual
vai conduzindo o trabalho até situações tão eclécticas quanto a então
irrequieta curiosidade,espirito provocador e até um bem visivel e bem
afinado sentido do caricato e do ridiculo do artista ,podiam de facto
conceber.
E um bom exemplo desta tese é este "La velada del marinaje",um
quadro de leitura subjectiva suscitando de imediato um raciocinio abstracto,apesar de veia nitidamente figurativa,não se chega a entender muito bem a situação pretendida.
Contudo o homo-erotismo aqui bem patente leva-nos a deduzir uma
existência de uma certa denúncia,ainda que sem julgamentos de valor,de
uma realidade bastante frequente entre seres do mesmo sexo quando condicionados a uma situação de isolamento prolongado e naturalmente desprovido da presença de elementos do sexo femenino.
Muito ao contrário de Pablo Picasso,Salvador Dali e até da genial portuguêsa,Paula Rêgo, a abordagem que António Pessoa faz ao erotismo ao longo de toda a sua obra é meramente passageira,algo camuflada
e essencialmente ligeira.
No entanto,particularmente no The Black and White album existem um
bom número de registros de teor cruamente erótico,ainda que dispersos
e decididamente sem obedecer nem implicar qualquer tipo de obsessão.
"La velada del marinaje" é talvez das obras do album que pode conter
uma linguagem plástica especialmente crua ainda que extremamente caricata.
Luis Santiago
Todo lo que imaginas es poco
António Pessoa . 1998
"Todo lo que imaginas es poco",cujo título penso que dispensa tradução,é talvez o paradigma de uma fusão de estilos e modelos que
no ano de 1998 de alguma forma inundavam a noção conceptual de um artista subconscientemente tentando organizar todo um leque de influências num só Todo.
António Pessoa a partir de 1997,altura em que deixa a cidade do Porto para se instalar em Vigo,é violentamente confrontado com a pintura galega que lhe parece não só pueril como tematicamente centrada numa cultura a qual não parece oferecer muitas portas abertas para novas invenções e de um público pouco receptivo aquilo que por então se poderia entender por Últimas Tendências ou muito simplesmente arte contemporânea.
Apesar de tudo,como é sabido,o artista luso en terras galegas ao longo dos anos que se seguem consegue de uma forma notável projectar sobre
tela uma nova visão da Plástica Gallega,o que lhe concede com relativa facilidade uma entrada sem grandes obstáculos no mercado do norte
de Espanha.
No entanto este artista português na Galiza sabe de antemão que o seu futuro de pensamento artistico e criativo vai ter mais tarde ou mais cedo que abrir asas e voar rumo a outros hemisférios de comunicação plástica.
E é precisamente nesta dimensão de discernimento,que António Pessoa opta sabiamente por conservar as suas reservas de modelo e inspiração,não só intactas como também,justamente,em plena evolução.
Apesar do panorama geral da arte na Galiza,António Pessoa sustenta uma genuina admiração por alguns Mestres galegos,como Jaime Quessada,Rafael Alonso,Laxeiro,Vidal Souto e até Pepe Barreiro.
Não obstante os seus planos para o presente e para o futuro englobam forçosamente outros valores de expressão plástica,tanto dos Mestres
das primeiras vanguardas do século vinte,como Matisse,MarcChagall,GeorgesBraque,Tanguy,Picasso,Juan Gris,Kandinsky,Paul Cadmus e Miró;como inevitavelmente e sempre Maria Helena Vieira da Silva,Andy Warhol,Francis Bacon,Frank Stella,Jackson Pollock,Fernando Botero.
É pois nesta atmosfera macroclimática de modelos e influências que se vai desenvolver toda a Época Romântica,até 2002,ano em que Pessoa se instala em Barcelona para uma nova aventura artistica,social,emocional
e decididamente internacional.
Luis Santiago
pintor Barreiro pintando un gaiteiro
António Pessoa . 1998
António Pessoa em 1998 rende-se à evidência da pintura galega,decididamente não com a atitude de impotente resignação mas sim com uma saudável e lúdica postura de adaptação.
Apesar da modernidade e da efervescente vida nocturna de Vigo e de toda a Galiza urbana,por assim dizer,no campo das artes plásticas verifica-se uma teimosa apetência por uma linha muito paralela às
primeiras vanguardas do século vinte,coexistindo com uma abordagem temática tipicamente galega.
Artistas consagrados no noroeste de Espanha como Laxeiro e muito particularmente Jaime Quessada,apesar de alto nível técnico,seguem uma estética vincadamente picassiana.Pepe Barreiro,não foge à regra
e nem demonstra vestigios de que esse facto represente para ele nem para o seu público local,grande motivo de preocupação.
António Pessoa dedica-lhe este óleo sobre tela,criando um interessante jogo de contrastes algo caricatos,entre a pintura de Barreiro,a cultura plástica galega,o próprio personagem e obviamente o estilo inconfundivel
de Pablo Picasso.
Luis Santiago
In the Night
António Pessoa - 1999
Em plena Época Romântica,já com um nome implantado na Galiza e com um mercado de braços abertos para a sua obra na vizinha Espanha,António Pessoa em 1999,produzindo mais do que nunca em toda a sua vida,sente que pode dar-se ao luxo de regressar a um tipo de expressão plástica bastante mais Pop Art e eventualmente optando por padrões de certo minimalismo e construtivismo conceptual,tudo isto naturalmente fora do âmbito do conceito visual plástico do público galego.
É por esta altura que Prof.Eduardo Calvet de Magalhães,um dos fundadores da Árvore na cidade do Porto,começa a interessar-se profundamente tanto pela obra do artista como pelo original e irreverente personagem.Igualmente em 1999,Vicente Fernández Lago dedica toda a sua galeria de arte de dois andares na cidade de Vigo única e exclusivamente à pintura de Pessoa.Também em meados de 1999,Jacob
Kotsky dá inicio aos seus apontamentos biográficos sobre a vida e obra do artista.Kotsky,por motivos familiares,designadamente a morte de sua
esposa num violento acidente de viação em Los Angeles e da tentativa de suicidio de seu filho,resolve retirar-se para as ilhas Canarias onde ainda reside actualmente.
Também no ano de 1999,depois de uma visita de estudo a Londres na companhia de Prof.Eduardo Calvet de Magalhães,começa a fazer continuas viagens a Barcelona e Sitges,muito possivelmente já idealizando um novo espaço vital para um futuro muito próximo,como aliás se veio a verificar.
"In the Night" um dos quadros talvez mais emblemáticos do principio de uma rotura com a pintura galega,pode também ser avaliado como um dos primeiros sintomas de um profundo e latente desejo de mudança.
E assim foi de facto!
Veronica Amaral
Ladies Night
António Pessoa - 2000
Uma vez mais,António Pessoa resolve dar um ar da sua graça e muito em particular das loucas noites de Vigo.
A Época Romántica reflecte a vivência urbana de uma cidade em pleno apogeu da "Movida" espanhola onde tabus e preconceitos são minimizados
por uma nova mentalidade da juventude de Espanha.
Escusado será dizer que a Época Romântica não deve o nome que tem por simple acaso.Efectivamente António Pessoa durante estes cinco anos pinta
durante as tardes e à noite perde-se no turbilhão de boémia,bares e discotecas e inserido num amplo circulo de amigos dentro do qual a bisexualidade é encarada como a coisa mais natural do mundo.
Pode-se afirmar que António Pessoa entre 1997 e 2002,pinta de Vigo para o Mundo,emocionalmente inspirado e estimulado por uma cidade que nunca dorme e onde o artista facilmente encontra a melhor alternativa à cidade do Porto já por então começando a dar tristes sinais de apatia,facto que infelizmente se foi agravando até aos dias de hoje.
Neste esplêndido Ladies Night,acrilico sobre tela de 1999,António Pessoa projecta uma visão moderada de puro lesbianismo.Uma obra que decididamente não pretende provocar mas sim atenuar e muito particularmente defender o direito à diferença.
António Pessoa prova que é possivel abordar todos os temas sem cair na vulgaridade obscena,pelo contrário elevar esta e cada temática a um expoente de máximo requinte,elegância e estética graciosa.
É com esta atitude blasé e jovial,que afinal de contas toda a feliz Época Romántica se desenvolve,pelas mãos e Know How de um artista absolutamente afinado na sua conduta de comunicação através da arte e muito particularmente
com a sempre presente noção de servir o público sem o ferir!
Veronica Amaral
Falling in Love
António Pessoa . 2001
No ano de 2001,António Pessoa encontra-se oficialmente casado pela segunda vez na sua vida,desta vez com uma mulher espanhola,natural
de Vigo,Irene Luz Iglesias Dona.
A sua vida,o seu trabalho e o seu estado emocional,criativo e animico mudam gradualmente à medida que se estabelece aquela que seria uma senão a mais efervescente relação da vida do pintor português.
Irene Luz Dona mostra-se à altura da situação,pelo menos nos primeiros tempos,revelando-se uma musa em toda a acepção da palavra e uma companheira de armas e de Atelier justo à medida de uma personalidade
individualista e sui generis como a do artista,de inteligência aguçada e com um sentido particularmente apurado para as artes visuais.
Sobre esta cinemática,maravilhosa e ao mesmo tempo turbulenta relação haveria muito que contar,em todo o caso é de sublinhar a
derradeira contribuição que esta mulher espanhola deu para o fim da tão badalada Época Romântica de António Pessoa,Vigo,1997-2002.
Este quadro "Falling in Love" parece-me ser mais que significativo,simbólico, na medida em que os dois se apaixonam loucamente partilhando três anos de aventuras,arte plásticas,viagens,uma especie de matrimónio predestinado a um desfilar de acontecimentos os quais iam mudar radicalmente a vida do artista,como aliás se veio a verificar.
Efectivamente a Época Romântica termina no preciso momento em que os dois se separam em 2002.
António Pessoa passa três meses no Algarve,um periodo de reflexão e de decisivas tomadas de decisões que iriam culminar com a sua definitiva retirada para a capital catalana,Barcelona.
Veronica Amaral
Matters of the Flesh
António Pessoa . 2002
Esta técnica mista sobre tela , "Matters of the Flesh",não sendo certamente dos melhores trabalhos do artista realizados em 2002,é contudo bastante representativo tanto das suas inquietações de nivel pessoal e privado como também das mudanças de critério plástico a que se propunha mais uma vez.
Segundo Jacob Kotsky e mesmo Pierre Fontanals,existe um certo mistério envolvendo o verdadeiro significado desta obra.
A relação de António Pessoa com a sua esposa Irene Luz Dona,atingia em 2002 o seu estado mais caótico onde , segundo parece , as ambivalências eram o pão nosso de cada dia.
Irene mostrava-se cada vez mais uma mulher possessiva ao ponto de uma obsessão crónica e António Pessoa por então já detentor de uma das maiores coleções dos nossos tempos,começava a dar visiveis sinais de saturação de Vigo e de todo um provincianismo artistico que em vez da graça que lhe dava anos antes,agora parecia provocar-lhe uma angustiante fobia.
Segundo algumas insinuações de Jacob Kotsky,este "Matters of the Flesh" pode muito possivelmente tratar-se nada mais nada menos do que o retrato de Irene Luz Dona,a mulher que nessa altura submetia o artista a um estranho jogo de pressões que afinal de contas acabou por fazer com o matrimónio rompesse pelas costuras.
2002,acaba por ser o ano decididamente menos produtivo dos cinco anos da Época Romântica de Pessoa.Ele e Irene Luz Dona agora passam
grande parte do tempo viajando por toda a Espanha,Barcelona,Sitges,Ibiza,Castellón e Sevilla,vivendo em hoteis dispendiosos e já partilhando um desequilibrio emocional o qual muito mais cedo do que se esperava
provocou a separação entre os dois amantes e aventureiros.
Ao contrário do que muitos pensam,a Época Romântica de António Pessoa não podia ter finalizado de pior maneira,deixando atrás de si um rastro de frustração,infelicidade e impotência.
No entanto,também ia deixar um rastro devastadoramente positivo na forma de uma das maiores e monumentais coleções de pintura dos
nossos dias!
Veronica Amaral
O Pincel ataca de novo !
The Brush strikes again (O Pincel ataca de novo ) é o retomar da colecção Art on White iniciada em 2006 e agora surgindo numa refrescante e nova versão de 2007,uma premonição de futuros trabalhos
do artista,naturalmente uns mais felizes do que outros como não podia deixar de ser.Longe ainda está o separar o trigo do joio para aquilo que
inevitavelmente um dia será o Best Of 2007.
A colecção Art on White 2006 de António Pessoa teve o aplauso do público,dos criticos de arte e de alguns galeristas os quais um a um foram considerando Art on White como uma das melhores séries deste artista plástico desde o celebérrimo Black and White album 1997-1998.
Talvez a mais relevante diferença é o facto de António Pessoa hoje em dia parecer ter-se livrado de algumas demasiado obvias influências que
dez anos atrás o bombardeavam incessantemente no exercicio plástico e até no pensamento.
Talvez o interregno de 2005 tenha sido afinal de contas o tempo de reflexão necessário a um corte drástico com os fantasmas do passado,ou talvez simplesmente o nascimento de uma nova filosofia de vida dando lugar a uma nova perspectiva plástica e consequentemente a uma nova linha estética.
António Pessoa em 2006 surpreendendo todos e mais ninguém surge mais além do conceito average contemporâneo com The NEW ERA .
A chuva de boas e más criticas não se fez esperar.A predominância de um positivismo geral falou por si mesma e The NEW ERA foi recebida com entusiasmo e alegria,sem grande espalhafato nem levantar muita polémica.
Para polémico já temos o artista,bem mais controverso que as suas próprias criações artisticas.Este é o boca-a-boca e é realmente verdade.
A minha humilde opinião como critico e professor de pintura e História de Arte,pode até eventualmente ser talvez a mais objectiva,dado que a minha relação com o artista é coisa recente,ao contrário de Luis Santiago,Vicente Fernández Lago,Pierre Fontanals,Nancy Igartiburu e naturalmente Jacob Kotsky,que são colaboradores e amigos intimos de António Pessoa ,já de longa data.
A minha análise,a qual confere-me o direito de me manifestar segundo o modelo em vigor de livre expressão,leva-me a concluir uma infindável
teia de contradições tanto na vida como na obra do artista.
E a conclusão à qual eu chego é que com António Pessoa há que forçosamente separar o trigo do joio e o homem do artista.
De uma modo geral considero que a obra de Pessoa é excelente,não pretendendo com isto dizer que penso que tudo o que ele dá à luz é bom.
Estou plenamente convencido de que o próprio artista tem nitida consciência deste eventual desnivel de qualidade,coisa que segundo me consta não parece consistir numa preocupação para o próprio mas sim uma realidade inevitável a uma sempre contínua mega-produção,o que é o caso.
A extenuante salgalhada de influências que marcam a Época Romântica de António Pessoa,1997-2002,onde modelos como Francis Bacon,Georg Baselitz,Pablo Picasso,Henry Matisse,Paul Cadmus,Alberto Giacometti,Vieira da Silva,Frank Stella,Miró,Andy Warhol e até mesmo Salvador Dali...parecem ter sido arrumadas,empacotadas e enviadas por correio para o reino do esquecimento.
António Pessoa, milagrosamente surge com The NEW ERA em 2006 mais do que nunca igual a si próprio.
Obras como August Storm,The Brain e Contemporary Plus,entre outras,marcam a diferença,acentuam um certo minimalismo e estudada simplicidade conceptual,deixando claro um apuradissimo critério de qualidade e ao mesmo tempo conservando a riqueza das cores e das formas da mais bela tradição das Belas Artes.
Rafael Medina
The Patron
António Pessoa , 2006
Após quase um ano de interregno,2005,em que o artista viaja permanentemente tanto por questões profissionais como por mero lazer,
talvez por um lado necessitando de um longo periodo de reflexão e de uma nova contemplação do mundo e por outro lado satisfazendo a
urgência de estabelecer novos contactos ; surge em 2006 com um novo look na sua arte visual,surpreendendo tudo e todos e muito provável até que surpreendendo-se a si mesmo.
Utilizando um nova fusão de ténicas mistas,desde collage,digital work,
fotografia,aguarela e acrilicos,plus uma combinação de cores e formas cujo resultado é quase sempre um impacto visual marcando súbita presença,não contundente mas sim meramente impositivo,ainda que predominantemente cativante e motivador.
"The Patron" ,O Mecenas,é talvez das obras mais atipicas da expressão da New Era,deixando ainda transparecer vestígios da Época Romântica,e até do periodo de Barcelona e Chicago.
Apesar de feições contemporâneas, "The Patron" sugere um certo ar de neo-cubismo,ou até um pouco ao estilo de Georges Braque,um toque de revivalismo em plena Nova Era muito ao jeito das obras dos tempos de Vigo.
Um quadro repleto de propositado mistério,muito no estilo desconcertante do António Pessoa dos velhos tempos,adivinha-se que se trata de um auto-retrato não só pelas nitidas parecenças do olhar como pela pose que mal se vislumbra mas que se sente.
Pouco mais posso adiantar sobre "The Patron" sem a sempre conveniente informação fidedigna de Jacob Kotsky,a não ser a minha leitura mais ou menos objectiva,pouco ou muito subjectiva.
Só realmente o tempo e o distanciamento necessário e imprescindivel poderão fazer uma mais justa avaliação e análise deste quadro,como
aliás costuma ser a regra geral,ainda para mais sendo "The Patron" uma obra fora do contexto visual da New Era de António Pessoa,2006.
Prof.Orlando Sousa Santos











